Sunday, 04-07-2010 às 18:38 Férias #nerdpride,Livros, revistas e afins @ 1173 palavras

Férias são, praticamente, sinônimo de ociosidade. Ou simplesmente “fazer nada”. E como minhas primeiras férias em um ano, decidi não ser tão improdutiva. Resultado: mais um “especial divertido”. Férias #nerdpride nada mais é do que uma meta estabelecida de ler dez livros, ver quantos filmes forem possíveis, me atualizar em todas as séries abandonadas durante o período letivo e, uffa!, me reinteirar musicalmente. Tudo isso, devidamente compartilhado aqui. Então, hey ho! Let’s go!

#1: O Primeiro Livro – Looking for Alaska

Tudo bem, vou começar “trapaceando” um pouquinho. Explico: oficialmente minhas férias começaram dia 30/06, mas eu considero que elas começaram dia 18/06 com a viagem para São Paulo. Então, esse é um “membro” das minhas férias, sim!

Minha busca desenfreada por esse livro começou por motivos que não convém serem mencionados. E, por uma coincidência do destino, ele apareceu por aí uma semana depois. Pra mim, foi um sinal de que eu deveria lê-lo. Mas, isso não seria uma tarefa assim tão fácil. As previsões de entrega de qualquer site eram “7 semanas para a Grande São Paulo” e minha boa vontade estava reconsiderando. Mas, com toda a correria semestral, acabei deixando de lado. Só que não desisti, e pedi para uma conhecida ver se achava ele lá na Alemanha, e ela achou.

Sim, uma verdadeira saga para finalmente ler. Nota-se porque ele merece ser membro honorário das minhas leituras de férias. E como ela escreveu na dedicatória: “O livro já viajou um oceano pra chegar nas suas mãos”.

Como se já não fossem motivos suficientes, o livro vale. Vale toda a espera, vale toda a raiva (por não conseguir lê-lo tão cedo) e, mais do que isso, vale cada lágrima que você – provavelmente – vai gastar com ele. São 268 páginas dividas em duas partes: Antes e Depois.

Antes e Depois do quê? Essa é a questão chave.

A história pode parecer batida (principalmente para quem, assim como eu, está acostumado a ler certos YA Books [Young Adult, classificação para livros que não são nem infantis, nem adultos, e que – em geral – retratam a juventude]): Miles Halter é um adolescente excluído, que vai estudar em um “colégio interno”. Lá, Miles terá de aturar os populares aprontando com ele e fará amizade com outros excluídos como ele. Seus novos amigos podem ser excluídos, mas nem por isso são conformados, o que pode dar uma ótica diferente à história. Eles aprontam e se vingam. Eles são nerds, estudiosos, mas bebem, fumam e gostam de farrear. Eles são adolescentes como todos os outros.

Verdade seja dita, não sei de um autor(a) brasileiro(a) que escreva esse tipo de história. O tema não tem como ser mais atemporal: bullying, adolescência, conflitos. No Brasil, nos Estados Unidos ou na China, isso sempre vai acontecer. Mas aqui as pessoas só querem escrever sobre favelas, tráfico e prostituição. Entendo, a realidade brasileira tem muito disso, mas quem geralmente vai ler algum livro não está nessa realidade, então não consegue se identificar. Perde o interesse. Digo por mim e por pessoas que conheço, muitos que dizem não gostar de ler mas que, ao encontrarem um livro com o qual se identificaram, descobriram (mesmo por pouco tempo) o que é ler.

O protagonista é um sujeito peculiar que gosta de last words [as últimas palavras que uma pessoa proferiu antes de morrer], um dos motivos para ele gostar tanto de biografias, a busca pelas últimas palavras. Uma das coisas que ele diz no decorrer do livro é que, muitas vezes, ele se interessa pela biografia e não pelo trabalho da pessoa: “I knew a lot about Ibsen, but I’d never read any of his plays”¹.

Miles divide o quarto com Chip Martin, “The Colonel”, um mini-gênio que adora aprontar. Colonel estuda quando tá com a cabeça cheia de problemas, sai pra caminhar e decorar a capital de todos os países e bebe leite com vodka (porque o “inspetor de alunos” não pode descobrir sobre a bebida). Talvez ali ele seja o mais “comum”, apesar de tudo.

É o Colonel quem apresente Miles à Alaska. E Miles se apaixona pela linda e louca Alaska. A linda e louca Alaska que tem um namorado e uma vida conturbada. Ela, na verdade, é aquela menina de aparências, a descolada, comunicativa, mas que está se afogando em seus próprios problemas. Da primeira vez que Miles entra no quarto dela ele se depara com um monte de livros, e ela diz que aquilo é o que ela chama de Life’s Library: embora ainda não tenha lido todos os livros que tem lá, ela pretende. Uma das frases que mais caracterizam a personagem é “Y’all smoke to enjoy it. I smoke to die.”². Nem preciso me dar ao trabalho de dizer que ela é a minha personagem preferida, né?!

Claro, existem outros personagens. Mas o trio que faz e acontece, que resolve e cria os problemas é esse. E a história poderia funcionar muito bem só com eles. Mas funciona ainda melhor com os outros.

Looking for Alaska é um dos livros que melhor representa o conceito de Problem Novel, uma “sub-divisão” dos Ya Books, que busca explorar os conflitos, as crises, os problemas dessa fase (e, nem preciso dizer, a minha “sub-divisão” favorita). O autor, John Green, consegue prender o leitor com uma narrativa simples, apesar de profunda. O único problema é que ainda não existe uma versão em português e existem mil e duas dificuldades para se conseguir comprar o livro, mas, acredite, vale a pena.

Info: Looking for Alaska, John Green. 268 págs, Editora Harper Collins (UK).

Traduções: ¹ – “Eu sabia muito sobre Ibsen, meu eu nunca havia lido nenhuma de suas peças”. ² – “Você todos fumam para curtir. Eu fumo para morrer.”











6 Comentários em “Férias #nerdpride + O Primeiro Livro”


sarahjujuba @ 04-07-2010 - 19:05

OK, seria bom e mais fácil se não fosse tão complicado achar o livro né?
Deu mesmo, MUITA vontade de ler esse livro =]
Ainda mais do jeito que tu descreveu rapidamente os personagens que pelo visto são os que mais seduzem
;**


Liz Mendes. @ 04-07-2010 - 22:24

pois é, e o problema é que a maioria dos livros que eu ando querendo ler estão nesse mesmo esquema. Acaba saindo mais caro, também. E eu ainda não consegui achá-los online. Resultado: fico só na vontade. =/


Pri Araújo @ 04-07-2010 - 23:16

Quero muito ler o livro!!! Será que vou ter que esperar sete semanas? o.O

#nerdpride


Liz Mendes. @ 04-07-2010 - 23:25

acho que sim. ou você pode esperar mais, até novembro, e pedir pra Mel. todo mundo pedindo pra Mel, ae!! =x


Bruno Pazzini @ 12-07-2010 - 22:04

Eu quero.


Jornalistando.com » Blog Archive » [Resenha] O teorema da tradução @ 30-03-2013 - 18:42

[…] antes do lançamento e, desocupada como estou, me joguei de cabeça na leitura. Diferentemente de Alaska e de ACedE o livro pode ser considerado “leve”. Mas não leve esse “leve” […]