Saturday, 30-03-2013 às 18:42 Críticas,Livros, revistas e afins @ 958 palavras

Pois bem, mais John Green, mais Katherine, mais… MAIS! A ideia era que eu postasse (e escrevesse, ao que realmente importa) essa resenha ainda em casa, apoiada sobre todas minhas anotações e fontes (também conhecidos como: a prova do livro da Intrínseca e a cópia americana lindamente emprestada da Val [oi, Val! Obrigada, viu?! <3]). Entretanto, não, não vai acontecer assim.

Eu recebi o livro no começo do mês, pouquinho antes do lançamento e, desocupada como estou, me joguei de cabeça na leitura. Diferentemente de Alaska e de ACedE o livro pode ser considerado “leve”. Mas não leve esse “leve” como algo ruim, negativo. Mas enquanto os dois tratam da morte, a morte em O Teorema Katherine é meramente metafórica. Eis que Collin vê seu 19º relacionamento com uma Katherine chegar ao fim, morrer.

E é esse o rumo da história: Collin é um pseudo-gênio, adorador de anagramas e que durante toda vida esperou pelo momento “Eureka”, quando ele teria uma iluminação clara e brilhante através de alguma ideia. Algo que pudesse, realmente, influenciar o andar das coisas. À parte disso, Collin começa uma bela coleção de Katherines. São 19. Dezenove meninas chamadas Katherine e seu relacionamento complexo com todas elas.

A história se desenvolve de modo que o leitor tente entender um pouco mais a cabeça, as ideias e pensamentos do garoto. E começa com ele sofrendo pelo fim do namoro. Desse modo, somos apresentados à visão que ele carrega de si e da devastadora Katherine, a 19ª. Somos apresentados, também, à Hassan o melhor-amigo-Toddynho: companheiro de aventuras.

É Hassan quem planta a sementinha do “hey, vamos cair na estrada?” em Collin. E assim começa a aventura dos dois tentando achar. Um motivo, uma teoria, um teorema, um momento Eureka. O teorema, aqui, fica por conta do cérebro super-vitaminado do segundo que resolve elaborar uma explicação científica para quando e “como” os relacionamentos vão fracassar. Sério, existe uma explicação matemática no apêndice do livro do que ele “cria” e é… muito interessante!

A viagem acaba levando os dois amigos para uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos onde eles conhecem Lindsey e Hollis. Hollis, dona da fábrica de cordinhas de absorvente interno (O.B. style) que mantém a cidade em funcionamento, e Lindsey, a filha um pouco incompreendida e, potencialmente, “grande” demais para a cidade.

Ok, apresentações devidamente feitas é hora de falar do livro. Mais do que isso: da minha experiência de leitura. Eu nunca havia tido a brilhante ideia de ler, simultaneamente, um livro no original e traduzido. A ideia surgiu na nerdfighteria brasileira, aliás. Alguém comentou que pensava em fazer isso justamente para comparar a tradução dos anagramas. Eu achei uma ideia maravilhosa e, como estava em posse da cópia de An Abundance of Katherines da supracitada Val, decidi fazer o mesmo.

A experiência em si foi bastante interessante e, talvez, tenha me feito pensar muito no trabalho dos tradutores, revisores e editores de livros. Bato palmas para eles! Nesse caso particular, bato muitas e muitas palmas para Renata Pettengill, tradutora do livro. Meu Deus! Eu só posso começar a imaginar quão trabalhoso deve ter sido contornar alguns dos anagramas para que tudo fizesse sentido dentro da história. E, é, eu acabei fazendo anotações comparando com o original.

Uma coisa que me fez desistir, algumas vezes, enquanto lia o livro em inglês, é a quantidade de notas de rodapé. Sério, é surreal. E eu odeio notas de rodapé. Pois bem, a edição brasileira tem 84 delas (e, pelo que me lembro, o original não tem muitas a menos, não). Meu ponto é simples: me quebra a leitura. E, às vezes, se você não está 100% imerso na leitura, você acaba se perdendo. E eu costumo ler à 98%, sendo que esses outros 2% estão, quase sempre, relacionados à imaginar/detalhar mentalmente a história. Só que chega um momento em que a leitura das notas de rodapé acabam se tornando fluídas, de modo que é fácil retomar o ponto, o fio da meada.

Collin é facilmente identificável. Todo mundo já deu ou tomou um pé na bunda. Ou a grande maioria das pessoas, como preferirem. É fácil identificar com os sentimentos de rejeição e dor extremados dele. É fácil identificar com o que ele sente quando percebe que a 19ª não sente o mesmo que ele, e nem é por mal. Apenas… acontece.

Minha opinião é que ele pode até não ser o melhor personagem do livro (e eu não acho que seja) mas é fácil de reconhecer. De se ver ou lembrar de alguém. E, bom, não sei vocês, mas comigo funciona bem a parte de me deixar cativar por personagens com quem eu posso me sentir “em casa”.

E aí, ficou com vontade de ler? Então, aproveita que o concurso cultural vai até meia-noite de hoje, sábado, 30/03. O resultado sai no domingo.











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